domingo, 25 de outubro de 2009

Um mês, cinco escorpiões e uma falsa coral depois, estou de casa nova











Oi, pessoal, faz um mês desde minha última postagem. Há três semanas já estou acampada aqui na Armação e ainda não conclui a mudança. Tenho trazido as coisas aos poucos mas mesmo assim consegui alguns dias de caos.




Posto hoje a foto do guarda-roupa que reciclei, para guardar meu material de velas, costura e ferramentas, além do material para bricolagem em geral - tintas, pincéis, lixas, etc. etc. A cômoda, mostro depois. Mas é incrível minha incapacidade de praticar a organização e o desapego. Embora tenha separado muitas coisas para doar, fico impressionada com a quantidade de tranqueiras das quais não abro mão. Tenho tido paciência comigo, enfim.



Coloco fotos do fogão de lenha e da cozinha, pra Claudinha, que está longe e acompanha a obra, sempre com seus comentários estimulantes, ver como estamos.




Bem, tivemos um ataque de escorpiões. Primeiro dia, um. Segundo dia, outro. Terceiro dia, três. Aí coloquei aqueles rodinhos de metal com borracha, horrorosos, nas portas e resolveu.




No domingo último, o Gilson, que trabalha comigo, deu de cara com uma cobra eletricista . Ela estava , segundo o Mauricio, meu pedreiro faz-tudo, tentando consertar o chuveiro dele. Enroladinha lá. Uma falsa coral, enorme. Infelizmente, foi morta. Eu entendo a reação, preferia que ela tivesse sido colocada no mato, mas não tive o que fazer.




Fora isso, é muita ralação para por as coisas em ordem. Trouxemos mudas da casa antiga, acerola produzindo, brasileirinhas, banana, samambaias, arecas, papiros que a Márcia Kumer me deu, e estamos torcendo para que sobrevivam. Até agora, tudo bem.




Estamos terminando as calhas porque pretendo captar água da chuva.


O poço continua problemático, a água vindo com ferrugem e barro. Inacreditável, foram 106 metros de profundidade, já tiramos tudo, limpamos e nada. O elemento filtrante entope com uma semana e está em falta na Leroy. Enfim, são os desafios de morar na roça. Compramos agua mineral para beber. A roupa, acho que agora só vou usar e comprar peças amarelas. Ou apelar para o cloro.




Em compensação, o fogão de lenha funciona, esquenta água do chuveiro do primeiro andar e da pia da cozinha. Da pia, não uso quase, acho desperdício de energia. E só dá um banho a cada duas horas, o boiler tem apenas 80 litros. Mas, funciona. Não vai dar para aquecer o ofurô, me conformei, vou ter que conseguir um aquecedor de hidro mesmo.


O aquecedor solar não funciona, comprei o modelo economico, com duas placas e sequer "quebra a frieza". Vou ver se é possivel adaptar mais duas placas, do ASBC. As da Belo Sol não estão mesmo servindo. Ainda bem que tem o apoio elétrico no banheiro do térreo.




Bem, é isso, deixo mais a foto da luminária de sobra de cano de esgoto, que fiz com a Dremmel.


Espero que gostem, eu adorei.

Só mais dois créditos: a toalha de crochê foi feita à mão pela bisavó do meu filho mais velho, há mais de 30 anos. E a mesa de granito, que aparece em parte junto ao guarda-roupa, me foi doada pelo Evaldo e Soraya. Ótima para meus artesanatos.




Inté.













quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A cabaça do Edir


Aí, Edir, veja uma das cabaças que você doou para a Armação. Virou luminária e está fazendo um sucesso danado! Para quem quiser saber: é só usar um molde vazado de acetato, desses que se usa em artesanato para stencil. Aí pega a furadeirinha multi uso da Dremel, com a broca mais fina e... haja paciência. Uma delícia!

No PVC - aproveite sobras de canos de esgoto - também fica muito legal.... é só comprar aqueles kits para lustres na Leroy Merlin e pronto... SUCESSO!

Tânia

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

















Bem, as novidades mais gostosas são essas: os pequizeiros estão floridos e logo colheremos tomates, abobrinha, mamão. As mudas de ipê amarelo que a Eldir conseguiu - depois publico os doadores, uma Radio e uma loja de plantas do Lago Norte - cresceram bastante, de forma irregular, mas sei que estarão ainda mais viçosas, com a chuva da primavera. Confesso que outro dia tive a impressão de que ia infartar, ao descobrir encanamentos de esgoto soltos nas paredes, sem ligação com as caixas sifonadas. Ainda bem que o vidraceiro percebeu e gritou - dona, corre aqui, tá saindo água pela janela do banheiro... Pensem... um banheiro já forrado, que você MANDOU testar. Como você não conferiu se testaram, faltou testar o esgoto da pia do lavabo, que tal? Era justo essa que não estava com a ligação feita. Meu conselho - esgoto? Teste você.
Agora, eu rio...Já que o meu caseiro e seu primo resolveram a questão, arrancaram o forro, cortaram o tijolo, puseram joelho, cano, ligaram na caixa sifonada. Saudades do Seu Souza, do Seu Moacir, mestres de obra daqueles que você dorme tranquila....

Depois de muitos percalços, que não vou publicar, porque fazem parte das obras, especialmente quando se decide construir sem projeto, seguindo um desenho pessoal, como foi o meu caso, estamos nos acabamentos mesmo. Até baguetes em meia esquadria eu me arrisquei a fazer, meu caseiro instalou luminárias, o primo dele instalou acabamentos da hidráulica... enfim, estamos nos virando.

É que, felizmente, a crise econômica internacional - eu diria até que foi financeira, o que é diferente - foi mesmo uma marolinha para o Brasil e mão de obra na construção civil é escassa. Se isso me traz problemas? Traz. Mas fico contente ao ver que as pessoas tem oferta de trabalho, enfim.

Na próxima postagem talvez eu coloque as fotos de detalhes da casa, com os créditos aos doadores de materiais, como o Edir, que me trouxe duas cabaças lindas - viraram luminárias dos quartos do andar superior. O Ricardo e a Beth me trouxeram lanternas japonesas da Liberdade, em Sampa. Viraram luminárias do lavabo e corredor dos quartos.
Assim vamos, com a generosidade dos amigos, visitas carinhosas e a colaboração de gente bacana.
Talvez eu escreva sobre o uso do tijolo de solocimento. É lindo, maravilhoso, mas exige uso de silicone para proteção contra a água. Caro. Perigoso. Um dia, eu conto essa história.
Vivendo e aprendendo. Hoje eu teria feito de outra forma, ou planejado um grande chapéu... Enfim, sou aprendiz. E vou fazer cob, hiper adobe, me aguardem.
Tânia



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Periquitos na paineira




Pois é, as chuvas chegaram antes da hora, o que foi ótimo para o cerrado, os pequizeiros já apontam seus botões, o bacupari começa a florir, os passarinhos estão em festa. Lá na armação, ao lado da janela da cabana da árvore, a paineira está alimentando os periquitos, que vão abrindo os frutos, degustando e liberando a paina... uma delícia.


Já meus tijolinhos ecológicos (solo-cimento) da casa estão sofrendo, porque ainda não receberam o silicone e o acabamento tá devagar demais, é uma trabalheira. Mas vale a pena fazer o que se sonha.


Deixo aí os periquitos e uma amostra dos tijolos na fachada onde voces vão ver as portas e janelinhas dos quartos. Precisei fazer os quartos no segundo andar, para aproveitar a vista do altiplano, que é belíssima, dá para o leste - portanto da cama vamos ver o sol nascer e, de lambuja, a lua. Por isso as sacadinhas, também, que ainda não receberam o guarda-corpo.


Bom fim de semana e feriado!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Notícias do cerrado







Oi, pessoal! Posto algumas fotos novas - a siriema arisca, a paineira frutificada, a vista do vale.



Estou chegando ao final da obra e já começo a pensar nos espaços seguintes a serem construídos, destinados a vivências e convivências.



Estou em dúvida se realmente vou implantar a Mandalla (http://www.agenciamandalla.org.br/) ou se parto para um sistema de agrofloresta. A dúvida reside no fato de que temo intervir no cerrado, introduzindo outras espécies, enquanto que na mandalla eu poderia fazer a intervenção apenas numa área de 2.500 metros.



Tenho pesquisado, lido, para formar opinião. A sua é bem vinda, também!



Uma boa semana a todos e todas.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Lua da janela

E lá vem a lua de novo, faceira, nascendo nos altiplanos. Sempre me deslumbra e faz lembrar o luar do sertão nesse cerrado florido, perfumado, pleno de vida teimosa, desabrochando na terra seca. Cá, da cabana da árvore, posto a foto, meu registro desse momento que acabou de acontecer.
Estou totalmente envolvida com a Armação, faço coisas que jamais pensei conseguir - como usar uma micro retífica para furar, cortar, lixar coisas. Aprendi a costurar, depois de um ano olhando para a máquina de costura que comprei, como se ela fosse uma coisa do outro mundo. Aí a vontade de fazer umas toalhas e cobre comida para a casa nova me levou a pensar : se consigo operar um computador, fazer um blog, velas, dirigir um Jeep velho sem guia pelo Jalapão, ainda sei andar de bicicleta - o que tentei recentemente -, porque não vou conseguir aprender sozinha a usar uma máquina de costura que até vem com manual?
Levei uma hora para conseguir montar, colocar o retrós, enchê-lo, colocar a linha do jeito certo e uma semana para que a costura saisse reta. Mas estou orgulhosa, agora.
É isso, a Armação me faz retomar a vontade de aprender coisas novas. Superar limites da minha falta de coordenação motora notória. Ô vida boa.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A bruxa está solta




Pois é, pessoal. Quem já construiu sabe que a alegria dura até o telhado, porque aí as coisas começam a andar devagar. Toda obra é assim, só muda de endereço.


Enfim, aí vai a bruxa voando. É. Colocamos uma bruxa dos ventos no telhado. Sempre quis ter um galo dos ventos, mas numa casa feminina, com nome feminino - Armação dos Anjos - tinha que ter uma figura feminina. Anjo é o anjo. Portanto, ficou a bruxa.


Ela veio de caminhão, lá das Minas Gerais, do pessoal do http://www.ecofogão.com.br/. Que além de fogões ecológicos, com direito a economia de lenha e serpentina para esquentar água, vende artigos de ferro da Cubilo.


Outra boa notícia - o urucum realmente resistiu ao atropelamento.


Estou ansiosa para ver as fotos que minha amiga fotógrafa, a Beth, tirou lá... Devem estar muito melhores que as minhas!


Beijos a todos e todas


Tânia